MANAUS (AM) – O empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, proprietário da agência Revoar Turismo, afirmou em depoimento à Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) que a assessora pessoal do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), efetuou o pagamento de R$ 34 mil em espécie para a emissão de passagens aéreas destinadas ao chefe do Executivo municipal e à primeira-dama, Izabelle Fontenelle.
De acordo com o depoimento, as passagens foram emitidas para viagem realizada em fevereiro de 2025 às ilhas de Saint Martin e Saint Barth, no Caribe. O empresário declarou que o valor foi pago integralmente em dinheiro, predominantemente em cédulas de R$ 50 e R$ 100.

A agência Revoar Turismo é citada na Operação Erga Omnes, que investiga suposta atuação de organização criminosa na administração pública municipal. A investigação aponta possível utilização da empresa para lavagem de dinheiro em favor do Comando Vermelho (CV).
O depoimento foi prestado no mesmo dia em que o empresário foi preso, no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), após a deflagração da operação. Segundo os autos, ele confirmou que Anabela Cardoso Freitas era cliente da agência e responsável pela aquisição de passagens não apenas para uso próprio, mas também para o prefeito, a primeira-dama e familiares.
Questionado sobre a origem dos valores utilizados nos pagamentos, o empresário afirmou não saber se os recursos seriam provenientes de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, crime organizado ou eventual desvio de verbas públicas.
A Polícia Civil também apura movimentações financeiras consideradas atípicas. Conforme informações atribuídas a relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), há registro de depósitos fracionados em favor da empresa ao longo de meses. O empresário negou ter recebido um único depósito no valor de R$ 1.350.000,00, mas admitiu ter recebido valores parcelados que, somados, poderiam atingir montante elevado.

Outro ponto mencionado na investigação é que a Revoar Turismo operava sem sede aberta ao público e sem estrutura comercial compatível com o volume financeiro movimentado, o que levou os investigadores a classificá-la como possível empresa de fachada.
No âmbito da Operação Erga Omnes, a primeira-dama Izabelle Fontenelle, familiares do prefeito e o vice-prefeito chegaram a protocolar habeas corpus preventivo no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), mas desistiram posteriormente do pedido. Segundo informações oficiais, essas pessoas não figuram como investigadas no inquérito.
A Operação Erga Omnes apura a movimentação de aproximadamente R$ 70 milhões nos últimos quatro anos, envolvendo empresas e agentes públicos em sete estados. As investigações seguem em andamento.