MANAUS (AM) – Após cinco dias de julgamento marcados por intensos debates entre acusação e defesa, a Justiça do Amazonas condenou, na madrugada desta segunda-feira (1º), os dois acusados de participação no assassinato da jovem Débora da Silva Alves, de 18 anos, que estava grávida de oito meses. O caso, que causou forte comoção popular e repercutiu em todo o país, teve seu desfecho no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, em Manaus.
Apontado como mentor e executor do crime, Gil Romero Machado Batista foi condenado a 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado. O Conselho de Sentença reconheceu sua responsabilidade pelos crimes de feminicídio, aborto provocado sem o consentimento da gestante e ocultação de cadáver.
Os jurados também concluíram que o assassinato foi praticado de forma premeditada, mediante emboscada e com extrema crueldade, circunstâncias que agravaram significativamente a pena aplicada ao réu. A condenação representa uma das mais severas já impostas em casos de feminicídio julgados recentemente no Amazonas.
Já José Nílson Azevedo da Silva foi condenado a 17 anos e 8 meses de prisão por homicídio qualificado por motivo torpe. Segundo a decisão judicial, ele auxiliou Gil Romero na execução do crime. No entanto, os jurados afastaram as acusações mais graves relacionadas ao feminicídio e outras qualificadoras inicialmente atribuídas ao acusado.
O julgamento foi presidido pelo juiz Fábio Alfaia, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, e reuniu familiares da vítima, representantes do Ministério Público, advogados e membros da sociedade civil que acompanharam atentamente cada etapa do processo.
O crime ganhou repercussão nacional pela brutalidade dos fatos. Débora, que estava prestes a dar à luz o pequeno Arthur, teve sua vida interrompida de forma cruel, provocando indignação e mobilização social em busca de justiça. A condenação dos envolvidos encerra um longo capítulo de dor para familiares e amigos da vítima, que aguardavam há meses por uma resposta do Poder Judiciário.
Com a sentença, a Justiça reconhece a gravidade dos crimes cometidos e envia uma mensagem de combate à violência contra a mulher, especialmente em casos marcados por extrema crueldade e vulnerabilidade da vítima.