A Justiça Federal determinou nesta quarta-feira (13) a revogação das prisões preventivas dos investigados na Operação Narco Fluxo, realizada pela Polícia Federal em abril deste ano. Entre os beneficiados estão MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira.
A medida foi assinada pela desembargadora Louise Filgueiras, integrante do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, após análise dos habeas corpus apresentados pelas defesas dos investigados.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão utilizando empresas de fachada, “laranjas”, holdings, criptomoedas e transferências internacionais para ocultar a origem dos recursos.
As investigações apontam que o dinheiro teria ligação com apostas ilegais, rifas clandestinas e até tráfico internacional de drogas. Empresas do setor artístico e do entretenimento também teriam sido utilizadas para misturar recursos legais e ilícitos.
Ao justificar a decisão, a desembargadora afirmou que a prisão preventiva não deve ser mantida apenas para garantir o andamento das investigações, principalmente diante da ausência de denúncia formal apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF).
No processo, a Polícia Federal informou ainda a necessidade de mais 90 dias para continuidade das diligências e perícias.
“É incongruente entender que não há provas para a formação da denúncia e manter a prisão preventiva”, destacou a magistrada.
Apesar da liberdade concedida, os investigados deverão obedecer medidas cautelares impostas pela Justiça, incluindo entrega de passaporte, comparecimento mensal em juízo, proibição de deixar o país sem autorização e comunicação obrigatória em caso de mudança de endereço.
A Polícia Federal também sustenta que influenciadores digitais e páginas de grande alcance eram utilizados para promover rifas, apostas e melhorar a imagem pública do grupo investigado.
No caso de Raphael Sousa Oliveira, os investigadores apontam que ele teria atuado como operador de mídia da organização através da página Choquei.
As defesas dos envolvidos negam qualquer participação em crimes e alegam que os recursos movimentados possuem origem legal.